Data: 16/02/2021 Tempo: 04min de leitura Categoria: Experiências Visualizações: 118 visualizações
Por: Observatório do Turismo

Como o cancelamento do Carnaval 2021 afeta e impacta a economia, a manutenção cultural e o turismo catarinense.

Não há dúvidas que o carnaval brasileiro é a maior manifestação cultural coletiva simultânea do mundo e que seu DNA está enraizado em praticamente todos os estados do Brasil. E como a maior festa popular brasileira, o carnaval gera expectativas na população sob diversas pontos e impactos – da cultura, do entretenimento, da economia e do turismo.

 Durante o ano todo os preparativos para as festividades carnavalescas geram muito emprego e renda. Durante o ano inteiro, milhares de pessoas de distintas profissões – músicos, artistas visuais, designers, dançarinos, atores, ferreiros, costureiros, marceneiros, produtores, carnavalescos, entre outras – trabalham em barracões, ateliers e quadras das escolas de samba e blocos, movimentando a economia das cidades com programações de carnaval. O setor de produções culturais e artísticas também usufruem da data para incrementar as programações.

O resultado positivo do carnaval é percebido pela sua atratividade como entretenimento – atraindo milhões de foliões para os destinos carnavalescos, gerando uma movimentação turística extremamente positiva no campo econômico, diretamente nos meios de hospedagem, transportes, compras, alimentação e bebidas, e indiretamente na produção associada e na indústria fornecedora de insumos e apoio ao turismo. Segundo a Confederação Nacional dos Comercio de Bens, Serviço e Turismo (CNC) o carnaval de 2020 gerou um impacto econômico de aproximadamente R$ 8 bilhões e originou cerca de 24 mil empregos temporários.

Porém, pela primeira vez na história do Brasil, o carnaval foi cancelado. A decisão do cancelamento do carnaval 2021 em todo território nacional devido a pandemia do Covid-19, trouxe consequentemente impactos, prejuízos e danos para a cultura e economia e pôs à deriva milhares de empregos

Nas três principais cidades catarinense onde as programações do carnaval são mais intensas – Florianópolis, Joaçaba e Laguna, o cancelamento das programações carnavalescas causaram um grande impacto na economia. Um exemplo pode ser aferido se relacionarmos a pesquisa da Fecomércio SC do Carnaval da Joaçaba de 2019 que apontou um crescimento de 33% na economia municipal em relação a 2018. Sendo que este aumento teria continuado a crescer, considerando as pesquisas dos anos anteriores.

Florianópolis, Laguna e Joaçaba provavelmente além de contabilizarem os prejuízos econômicos ainda terão que arcar com perdas culturais ocorridas pelo cancelamento do carnaval 2021, principalmente relacionado às manifestações das escolas de samba, que já vinham, nos últimos três anos, sentindo os cortes econômicos dos patrocínios devido à crise econômica.

Sem discordar que obrigatoriamente o carnaval e os desfiles das escolas de samba não teriam outro destino se não serem cancelados devido à gravidade da pandemia, provavelmente os danos culturais serão mais sentidos nos próximos anos. Visto que instituições como escolas de samba, blocos e sociedades carnavalescas, possuem uma gestão frágil e delicada enquanto estrutura e planejamento, pois precisam do apoio constante governamental e empresarial, além de utilizarem mão de obra informal. As pessoas especialistas em manufaturas de serviços carnavalescos após tanto tempo sem ofertas de trabalho, provavelmente migraram para outras atividades, abrindo uma lacuna extremamente perigosa para a continuidade e manutenção da qualidade da produção das manifestações carnavalescas nos próximos anos.

O carnaval é o ápice da movimentação econômica do verão nos destinos com programações carnavalescas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina (Abih – SC), nos últimos anos a taxa de ocupação hoteleira no período do carnaval vinha em um crescente, culminando nos 90% em 2020. Este ano a expectativa não é nada otimista, pois espera-se uma redução de 50% da ocupação em relação aos anos anteriores. Este ano a arrecadação formal e informal está comprometida com a suspensão das programações de carnaval.  Micro, pequenos e médios empresários deixaram de investir em novos negócios durante o carnaval, impactando na arrecadação fiscal dos municípios. E a população de baixa renda será é a mais afetada pois muitas comunidades em vulnerabilidade social usufruem da indústria do carnaval como meio temporário e informal de geração de emprego e renda.

Com o carnaval suspenso, a saída é a criatividade dos trabalhadores de diversos setores ligados a produção do carnaval a se reinventarem e buscarem novas oportunidades e alternativas de trabalho para geração de renda. E esperar que em 2022, a população brasileira já estava imunizada para fazer o maior carnaval da história, a exemplo de 1919 (ano da pós-pandemia da gripe espanhola) que realizou o “Carnaval do fim do fim mundo”. E estas histórias dão enredo.

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